Carga que Não Foge da Estrada: Técnicas de Amarração e Cantonamento que Salvam Reboques e Vidas
Photo: cargo lashing straps ratchet tie down flatbed trailer loading, via i5.walmartimages.com
Uma carga que se desloca dentro do reboque em uma freada brusca comporta-se como um aríete: cada quilo ganha força multiplicada conforme a velocidade. Não por acaso, a amarração inadequada figura entre as causas mais recorrentes de acidentes com cargas derramadas em rodovias — e a fiscalização trata o tema com rigor, pois a norma de segurança do transporte exige que toda carga seja acondicionada de forma a não se deslocar, tombar ou se soltar.
O Princípio do Cantonamento
Cantonamento é o preenchimento dos vazios entre a carga e as laterais do reboque. Uma peça solta no centro da prancha, mesmo amarrada, tem espaço para acelerar lateralmente nas curvas. O correto é:
- Distribuir o peso equilibradamente sobre os eixos, respeitando os limites por eixo;
- Preencher vãos com calços, madeiramento ou pallets;
- Encostar cargas pesadas nas estruturas e travá-las contra deslocamento longitudinal e lateral;
- Usar cantoneiras e calços que absorvam o esforço das cintas sem danificar a mercadoria.
Quantos Pontos de Amarração São Necessários?
A regra prática do setor, alinhada às normas técnicas de amarração de carga, considera dois eixos de força: um contra o deslizamento e outro contra o tombamento. Na prática:
- Cargas curtas e pesadas (máquinas, blocos, tambores): mínimo de duas cintas independentes por unidade, posicionadas em sentidos distintos;
- Cargas longas (vigas, tubos, perfis): amarração em trechos regulares ao longo do comprimento, com cintas adicionais nas extremidades;
- Cargas empilhadas: amarração da pilha como um todo mais travamento entre as camadas.
Cada ponto de amarração deve estar ancorado em pontos de fixação adequados do reboque — cavaletes, ilhós ou argolas homologadas — nunca em parafusos, ganchos improvisados ou partes da lona.
Cintas, Catracas e Correntes: Qual Escolher
- Cintas de poliéster com catraca: a escolha padrão para a maioria das cargas. Verifique a capacidade de ruptura (expressa em Lashing Capacity ou força de ruptura em decaNewtons) e o estado do tecido — cintas desfiadas, queimadas ou com nós perdem capacidade de forma drástica;
- Correntes com esticadores: indispensáveis para cargas metálicas pesadas e com cantos vivos, que cortariam cintas;
- Redes e lonas com amarração: complementam a fixação de cargas fragmentadas, como entulho e bagaço, evitando perda de partes pela estrada — infração frequentemente autuada.
Tensão: Nem Frouxa, Nem Excessiva
A cinta deve estar suficientemente tensionada para eliminar folgas, mas sem deformar a carga ou forçar a catraca além do travamento. Reaperte todas as cintas após os primeiros quilômetros — a vibração inicial assenta a carga e afrouxa as amarrações. Em viagens longas, nova verificação a cada parada é prática de quem opera com profissionalismo.
Conclusão
Amarração correta não é custo: é proteção da carga, do equipamento, da habilitação do motorista e, sobretudo, de vidas na estrada. Investir em cintas de qualidade, pontos de fixação adequados e treinamento da equipe de carga retorna em menos sinistros, menos autuações e mais tranquilidade operacional. Na estrada, a carga que chega inteira é a que foi presa certa desde o primeiro nó.